sexta-feira, 15 de julho de 2016

Atividade 1 - Estágio

No texto de Selma Garrido Pimenta e Maria do Socorro Lucena, podemos identificar o conceito de estágio como parte prática dos cursos de formação profissionais em contraposição à teoria. Muito se ouve falar que na prática a teoria é outra.  As autoras consideram que na verdade o currículo de formação é constituído por disciplinas isoladas que não tem explicitação de seus nexos com a realidade. Pimenta e Lucena nos afirmam que essa contraposição entre teoria e prática não é meramente semântica, pois se atribui menor importância à carga horária denominada prática (P.07).
O estágio sempre foi identificado como a parte prática dos cursos de formação de profissionais em geral, em contraposição à teoria. Ouvimos muito dos alunos se referir ao curso como teórico e que só se aprende na prática. No que diz respeito aos professores, o curso não se fundamenta na teoria nem se toma a prática como referencia. Ou seja, uma depende da outra. A teoria é indissociável a prática. O conceito de Práxis supera essa fragmentação, pois estágio como atitude investigativa envolve a reflexão e a intervenção na vida da escola, dos professores, dos alunos e da sociedade. O estágio como pesquisa já se encontra em práticas de grupos isolados, no entanto precisamos entender que há uma necessidade de ser assumido como um sonho a ser conquistado nos cursos de formação. “O conceito de bom professor é polissêmico, passível de interpretações diferentes e mesmo divergentes.” Ao valorizar as práticas e os instrumentos consagrados tradicionalmente como modelos eficientes, a escola resume seu papel a ensinar. A formação se dá através dessa reprodução modelar. Essa perspectiva está ligada a uma concepção de professor que não valoriza sua formação intelectual. Nessa Perspectiva, o estágio se resume a imitar modelos, conservar ideias, hábitos, valores. Dessa forma, não se realiza uma análise crítica fundamentada teoricamente e legitimada na realidade social em que o ensino se processa. A prática como imitação de modelos, onde o exercício de qualquer profissão é prático, no sentido de que se trata de aprender a fazer “algo” ou “ação”. O estágio acontece, nessa perspectiva, com a imitação, a observação e a reprodução, e às vezes se reelabora os modelos considerados bons.
 A Prática como Instrumentalização Técnica As habilidades não são suficientes para a resolução dos problemas com os quais se defrontam, uma vez que a redução às técnicas não dá conta do conhecimento científico nem da complexidade das situações que ocorrem. Se o conhecimento científico não é dominado, o profissional fica restrito a usar intervenções técnicas originadas dele, tornando-se um prático. O estágio fica reduzido à hora da prática, ao manejo de classe, ao trabalho burocrático e por fim a seguir receitas de bolo. As oficinas pedagógicas, confecção de material didático, muitas vezes têm sido utilizadas como prestação de serviços. O estagiário é submetido a tudo isso como sendo mão de obra gratuita e barata. ... A habilidade que o professor deve desenvolver é a de saber lançar mão adequadamente das técnicas conforme as diversas situações em que o ensino ocorre, o que necessariamente implica a criação de novas técnicas. (P.9,10) O mito das técnicas e das metodologias está presente nos alunos, nos professores e nas políticas governamentais. A didática instrumental gera a ilusão de que as situações de ensino são iguais e poderão ser resolvidas com técnicas. Portanto gerou uma negação a didática instrumental, sendo substituída por uma critica as escolas em geral que eram consideradas como aparelhos ideológicos do estado. A Universidade é por excelência o espaço formativo da docência, uma vez que não é simples formar para o exercício da docência de qualidade e que a pesquisa é o caminho metodológico para essa formação. As orientações das políticas geradas a partir do banco Mundial reduzem a formação a mero treinamento de habilidades e competências. O que se entende é que o estágio é teoria e prática, não teoria ou prática. De acordo com o conceito de ação docente, a profissão de educador é uma prática social, é uma forma de intervir na realidade social. A atividade docente é ao mesmo tempo prática e ação. [...]. Em sentido amplo, ação designa a atividade humana, o fazer, um fazer efetivo ou a simples oposição a um estado passivo. Entretanto em uma compreensão filosófica e sociológica, a noção de ação é sempre referida a objetivos, finalidades e meios, implicando a consciência dos sujeitos para essas escolhas, supondo certo saber e conhecimento. (P.12) Considerando que nem sempre os professores têm clareza sobre os objetivos que orientam suas ações no contexto escolar e no meio social... Faz sentido investir nos processos de reflexão nas e das ações pedagógicas realizadas nos contextos escolares. (cf.Navarro, 2000) O papel das teorias é iluminar e oferecer instrumentos e esquemas para análise e investigação. A atividade docente é ao mesmo tempo prática e ação e as teorias são explicações sempre provisórias da realidade. Ao estágio compete possibilitar que os futuros professores compreendam a complexidade das práticas institucionais e das ações aí praticadas por seus profissionais como alternativa no preparo para sua inserção profissional. De acordo com as autoras, todas as disciplinas de- vem contribuir para formar professores a partir da análise, da crítica e da proposição de novas maneiras de fazer educação. O estágio deve superar a separação entre teoria e prática. Pimenta e Gonçalves (1990) consideram que o estágio é a aproximação da realidade e atividade teórica é a aproximação do acadêmico com a realidade na qual atuará. Professores e alunos devem se apropriar da realidade para analisá-la e questioná-la à luz de teorias. O estágio, não é atividade prática, mas teórica, instrumentalizadora da práxis docente, entendida como atividade de transformação da realidade. Nesse sentido ele é atividade teórica de conhecimento, fundamentação, dialogo e intervenção na realidade. É no contexto da sala de aula, da escola, do sistema e da sociedade que a práxis se dá. O estágio como pesquisa e a pesquisa no estágio traz a possibilidade de os estagiários desenvolverem postura e habilidades de pesquisador a partir das situações de estagio, elaborando projetos que lhes permitam ao mesmo tempo compreender e problematizar as situações que observam. Teoria e prática estão presentes tanto na universidade quanto nas institui- ções-campo.O estágio assim realizado permite que se traga a contribuição de pesquisas e o desenvolvimento das habilidades de pesquisas. O estágio deve envolver todas as disciplinas cursadas na universidade, ele não se faz por si só.
Conclui-se que o professor precisa saber desenvolver habilidades que condizem com a prática, conforme as diversas situações em que ocorre ensino, ou seja, traçar objetivos do que se pretende alcançar com determinada técnica, articulando teoria, prática e habilidades desenvolvidas. O professor precisa ter conhecimento cientifico, conhecimento prático e conhecimento técnico.

Aluna : Paula Felícia 

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