No texto de Selma Garrido Pimenta
e Maria do Socorro Lucena, podemos identificar o conceito de estágio como parte
prática dos cursos de formação profissionais em contraposição à teoria. Muito
se ouve falar que na prática a teoria é outra.
As autoras consideram que na verdade o currículo de formação é
constituído por disciplinas isoladas que não tem explicitação de seus nexos com
a realidade. Pimenta e Lucena nos afirmam que essa contraposição entre teoria e
prática não é meramente semântica, pois se atribui menor importância à carga
horária denominada prática (P.07).
O estágio sempre foi
identificado como a parte prática dos cursos de formação de profissionais em
geral, em contraposição à teoria. Ouvimos muito dos alunos se referir ao curso
como teórico e que só se aprende na prática. No que diz respeito aos
professores, o curso não se fundamenta na teoria nem se toma a prática como
referencia. Ou seja, uma depende da outra. A teoria é indissociável a prática.
O conceito de Práxis supera essa fragmentação, pois estágio como atitude
investigativa envolve a reflexão e a intervenção na vida da escola, dos
professores, dos alunos e da sociedade. O estágio como pesquisa já se encontra em
práticas de grupos isolados, no entanto precisamos entender que há uma necessidade
de ser assumido como um sonho a ser conquistado nos cursos de formação. “O
conceito de bom professor é polissêmico, passível de interpretações diferentes
e mesmo divergentes.” Ao valorizar as práticas e os instrumentos consagrados
tradicionalmente como modelos eficientes, a escola resume seu papel a ensinar.
A formação se dá através dessa reprodução modelar. Essa perspectiva está ligada
a uma concepção de professor que não valoriza sua formação intelectual. Nessa
Perspectiva, o estágio se resume a imitar modelos, conservar ideias, hábitos,
valores. Dessa forma, não se realiza uma análise crítica fundamentada
teoricamente e legitimada na realidade social em que o ensino se processa. A
prática como imitação de modelos, onde o exercício de qualquer profissão é
prático, no sentido de que se trata de aprender a fazer “algo” ou “ação”. O
estágio acontece, nessa perspectiva, com a imitação, a observação e a
reprodução, e às vezes se reelabora os modelos considerados bons.
A Prática como Instrumentalização Técnica As
habilidades não são suficientes para a resolução dos problemas com os quais se
defrontam, uma vez que a redução às técnicas não dá conta do conhecimento
científico nem da complexidade das situações que ocorrem. Se o conhecimento
científico não é dominado, o profissional fica restrito a usar intervenções
técnicas originadas dele, tornando-se um prático. O estágio fica reduzido à
hora da prática, ao manejo de classe, ao trabalho burocrático e por fim a
seguir receitas de bolo. As oficinas pedagógicas,
confecção de material didático, muitas vezes têm sido utilizadas como prestação
de serviços. O estagiário é submetido a tudo isso como sendo mão de obra
gratuita e barata. ... A habilidade que o professor deve desenvolver é a de
saber lançar mão adequadamente das técnicas conforme as diversas situações em
que o ensino ocorre, o que necessariamente implica a criação de novas técnicas.
(P.9,10) O mito das técnicas e das
metodologias está presente nos alunos, nos professores e nas políticas governamentais.
A didática instrumental gera a ilusão de que as situações de ensino são iguais
e poderão ser resolvidas com técnicas. Portanto gerou uma negação a didática
instrumental, sendo substituída por uma critica as escolas em geral que eram
consideradas como aparelhos ideológicos do estado. A Universidade é por
excelência o espaço formativo da docência, uma vez que não é simples formar
para o exercício da docência de qualidade e que a pesquisa é o caminho
metodológico para essa formação. As
orientações das políticas geradas a partir do banco Mundial reduzem a formação
a mero treinamento de habilidades e competências. O que se entende é que o
estágio é teoria e prática, não teoria ou prática.
De acordo com o conceito de ação docente, a profissão de educador é uma
prática social, é uma forma de intervir na realidade social. A atividade
docente é ao mesmo tempo prática e ação. [...]. Em sentido amplo, ação designa
a atividade humana, o fazer, um fazer efetivo ou a simples oposição a um estado
passivo. Entretanto em uma compreensão filosófica e sociológica, a noção de
ação é sempre referida a objetivos, finalidades e meios, implicando a
consciência dos sujeitos para essas escolhas, supondo certo saber e conhecimento.
(P.12) Considerando que nem sempre os professores têm clareza sobre os
objetivos que orientam suas ações no contexto escolar e no meio social... Faz
sentido investir nos processos de reflexão nas e das ações pedagógicas
realizadas nos contextos escolares. (cf.Navarro, 2000) O papel das teorias é
iluminar e oferecer instrumentos e esquemas para análise e investigação. A
atividade docente é ao mesmo tempo prática e ação e as teorias são explicações sempre provisórias da realidade. Ao
estágio compete possibilitar que os futuros professores compreendam a
complexidade das práticas institucionais e das ações aí praticadas por seus
profissionais como alternativa no preparo para sua inserção profissional. De
acordo com as autoras, todas as disciplinas de- vem contribuir para formar
professores a partir da análise, da crítica e da proposição de novas maneiras
de fazer educação. O estágio deve superar a separação entre teoria e prática. Pimenta
e Gonçalves (1990) consideram que o estágio é a aproximação da realidade e
atividade teórica é a aproximação do acadêmico com a realidade na qual atuará.
Professores e alunos devem se apropriar da realidade para analisá-la e
questioná-la à luz de teorias. O estágio, não é atividade prática, mas teórica,
instrumentalizadora da práxis docente, entendida como atividade de
transformação da realidade. Nesse sentido ele é atividade teórica de
conhecimento, fundamentação, dialogo e intervenção na realidade. É no contexto
da sala de aula, da escola, do sistema e da sociedade que a práxis se dá. O
estágio como pesquisa e a pesquisa no estágio traz a possibilidade de os
estagiários desenvolverem postura e habilidades de pesquisador a partir das
situações de estagio, elaborando projetos que lhes permitam ao mesmo tempo
compreender e problematizar as situações que observam. Teoria e prática estão
presentes tanto na universidade quanto nas institui- ções-campo.O estágio assim
realizado permite que se traga a contribuição de pesquisas e o desenvolvimento
das habilidades de pesquisas. O estágio deve envolver todas as disciplinas
cursadas na universidade, ele não se faz por si só.
Conclui-se que o professor
precisa saber desenvolver habilidades que condizem com a prática, conforme as
diversas situações em que ocorre ensino, ou seja, traçar objetivos do que se
pretende alcançar com determinada técnica, articulando teoria, prática e
habilidades desenvolvidas. O professor precisa ter conhecimento cientifico,
conhecimento prático e conhecimento técnico.
Aluna : Paula Felícia
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